LSM – O início de 2026 confirma um cenário que já vinha se desenhando nos últimos anos: a violência contra a mulher segue em alta no Brasil. Entre janeiro e março, o país registrou 399 feminicídios, o equivalente a uma mulher assassinada a cada 5 horas e 25 minutos.
O dado não representa um ponto fora da curva, mas a continuidade de uma tendência de crescimento. Em relação ao mesmo período de 2025, o aumento foi de 7,55%, reforçando que o problema não apenas persiste, como avança.
Quando observada a série histórica, o salto fica ainda mais evidente. Há cerca de dez anos, o Brasil registrava pouco mais de 100 casos no primeiro trimestre. Hoje, esse número mais que triplicou, revelando uma escalada gradual e constante da violência de gênero.
Apesar de acontecer em diferentes contextos e regiões, o feminicídio segue um padrão que se repete na maioria dos casos: relações marcadas por controle, agressões anteriores e histórico de violência doméstica. Muitas vezes, o crime é o desfecho de situações que já vinham se agravando dentro de casa.
Os dados do primeiro trimestre mostram ainda uma distribuição relativamente constante ao longo dos meses, com janeiro concentrando o maior número de registros, seguido por março e fevereiro.
O cenário reacende a discussão sobre a efetividade das políticas de proteção e prevenção à violência contra a mulher. Muitos desses casos poderiam ser evitados com intervenção mais rápida em episódios anteriores de agressão e ameaça, que frequentemente antecedem o crime final.








