LSM – Quem acompanha o avanço das obras de MARAEY pode se perguntar: o que acontece com os animais e as plantas que estão nas áreas onde as máquinas entram?
Antes de cada nova frente de serviço avançar, equipes ambientais entram no trecho que será trabalhado para fazer a vistoria, procurar animais e identificar espécies vegetais que precisam de atenção.
A sequência prevista para as obras estabelece que o afugentamento e o resgate de fauna sejam realizados por profissionais habilitados antes e durante as atividades de resgate da flora, supressão da vegetação e retirada da camada superficial do solo. Só depois vêm as demais etapas de terraplenagem e implantação da infraestrutura.
- Primeiro, a área é vistoriada
Antes da chegada do maquinário, a equipe identifica a frente de serviço e realiza uma busca ativa no local. Segundo a bióloga Thais Saraiva, são observados possíveis abrigos, ninhos, tocas e a presença de animais no caminho da intervenção.
“Fazemos uma vistoria antes para saber se existe algum animal, ninho, toca ou algum tipo de abrigo. Depois, continuamos acompanhando a equipe durante as atividades”, explica.
O monitoramento realizado antes e durante as obras inclui mamíferos, aves, répteis, anfíbios e insetos, seguindo o Projeto de Monitoramento da Fauna aprovado pelo INEA. Áreas alagadas também são verificadas previamente para identificação de fauna ameaçada.
- O animal pode ser afugentado ou resgatado
Encontrar um animal não significa necessariamente capturá-lo.
Quando possível, é feito o afugentamento, para que ele se desloque por conta própria para fora da área da intervenção. Quando o resgate é necessário, o manejo é realizado pela equipe especializada.
Na restinga, as aves são numerosas, mas os répteis costumam demandar atenção especial nas ações de busca e afugentamento, explica Thais.
Depois do resgate, cada situação é avaliada. O animal pode seguir para soltura ou receber atendimento veterinário. Quando há necessidade de cuidados maiores, pode ser encaminhado para uma clínica. “Todo o processo é feito com muito cuidado”, afirma a bióloga.
- A vegetação também passa por triagem antes da supressão
Enquanto uma equipe acompanha a fauna, há também o trabalho voltado à flora, com profissionais como o engenheiro florestal Arthur Junqueira.
Ele explica que, antes da supressão vegetal, são identificadas espécies ameaçadas de extinção, endêmicas ou de interesse ambiental que possam ser resgatadas. Elas podem ser transplantadas para áreas de recuperação ambiental ou levadas para a casa de vegetação, onde passam por aclimatação.
Orquídeas, bromélias e cactos estão entre as plantas que requerem maior atenção. Isso acontece porque determinadas espécies estão adaptadas a condições muito específicas de luminosidade, umidade, solo e microambiente. A escolha do novo local e o tempo entre a retirada e o replantio são, portanto, parte importante do processo.
Também são retiradas plântulas — plantas jovens — e outros exemplares que tenham condições de ser reaproveitados na recuperação da vegetação.
- Só então a obra entra no trecho
Depois das etapas ambientais previstas para aquela área, ocorre a supressão da vegetação autorizada e a preparação do solo para receber as obras de infraestrutura.
Na prática, a ordem registrada no relatório técnico é: demarcação da área autorizada, afugentamento e resgate de fauna, resgate da flora, supressão vegetal e, depois, preparação do terreno para vias, calçadas, ciclovias e redes de infraestrutura.
E depois que a obra passa?
O acompanhamento ambiental não se resume ao momento em que as máquinas chegam.
MARAEY prevê a preservação ou recuperação de 81% do território, com apenas 6,7% da área destinada a edificações. A estratégia ambiental inclui a criação de uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) de restinga com 440 hectares, a regeneração de mais de 270 hectares de vegetação nativa — ampliando em 32% a cobertura vegetal da área — e a implantação de um Centro de Referência Ambiental dedicado a pesquisas sobre fauna, flora e ecossistemas locais, com o apoio de algumas das principais universidades do país.
A proposta é incorporar a preservação de forma permanente ao desenvolvimento do destino, aliando conservação, recuperação ambiental e produção de conhecimento científico. “É muito importante o trabalho feito antes, durante e depois, porque esses animais permanecem por aqui”, conclui Arthur.











