LSM – O aumento da procura por atendimento relacionado à saúde mental acende um alerta no Estado do Rio de Janeiro e reforça a necessidade de ampliar as ações de prevenção ao suicídio. Em meio ao Setembro Amarelo, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) intensifica o debate sobre valorização da vida, atendimento psicológico e fortalecimento das políticas públicas de saúde mental.
Dados divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde mostram que as 27 UPAs estaduais registraram 169.838 atendimentos relacionados à saúde mental entre 2023 e 2025. O número cresceu de 50.624 atendimentos em 2023 para 64.400 em 2025, uma alta de aproximadamente 27%.
No mesmo período, foram contabilizados 3.428 atendimentos relacionados a lesões autoprovocadas e intoxicações intencionais. O Samu também registrou aumento nas ocorrências envolvendo transtornos mentais ou comportamentais, passando de 21.856 casos em 2023 para 27.446 em 2025.
Alerta também envolve crianças e adolescentes
O cenário preocupa ainda mais quando considerados os jovens. Segundo o Atlas da Violência 2026, a taxa de internações por lesões autoprovocadas entre pessoas de 10 a 19 anos passou de 3,7 para 6,4 casos por 100 mil habitantes entre 2014 e 2024.
Diante desse cenário, a Alerj mantém em discussão propostas voltadas à prevenção e ao atendimento de pessoas em sofrimento psicológico. Entre elas está um projeto de lei que estabelece diretrizes para prevenção, acolhimento e enfrentamento ao suicídio e à automutilação no estado.
Escuta pode ser o primeiro passo
Especialistas destacam que o acolhimento pode fazer diferença durante uma crise. Para o psicólogo Nelson Antonio Linhares, ouvir sem julgamentos é fundamental para que a pessoa consiga falar sobre aquilo que está enfrentando.
Frases que diminuem ou desqualificam o sofrimento devem ser evitadas. Em vez disso, familiares e amigos podem demonstrar disponibilidade e perguntar de que maneira podem ajudar.
A orientação é que quem estiver enfrentando uma situação de sofrimento não espere conseguir organizar tudo o que sente para procurar ajuda. Uma simples mensagem para alguém de confiança dizendo “não estou bem e preciso de ajuda” pode ser o primeiro passo.
Onde buscar ajuda
A rede pública oferece atendimento por meio da Rede de Atenção Psicossocial (Raps), que inclui unidades básicas de saúde, Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e serviços de urgência e emergência.
O Centro de Valorização da Vida (CVV) atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia. Em situações de emergência, o Samu pode ser acionado pelo 192.
A prevenção ao suicídio não deve se limitar ao mês de setembro. A atenção permanente, a escuta e o acesso ao atendimento especializado são fundamentais para fortalecer uma rede de proteção e garantir que pessoas em sofrimento não precisem enfrentar suas crises sozinhas.







