LSM – Um retrato preocupante da asma no Brasil revela que seis em cada dez adultos atendidos na rede pública já apresentam comprometimento da função pulmonar. O dado faz parte de um levantamento realizado com cerca de 400 pacientes em Unidades Básicas de Saúde.
Entre crianças, o cenário também acende alerta: um terço dos pacientes avaliados apresentou redução na capacidade respiratória, indicando falhas no controle da doença desde cedo.
O estudo, desenvolvido pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde, aponta que o problema não está apenas na doença, mas principalmente na forma como ela vem sendo tratada.
Boa parte dos pacientes ainda utiliza apenas as chamadas “bombinhas de resgate”, medicamentos de efeito rápido que aliviam os sintomas, mas não tratam a inflamação das vias aéreas, que é a base da asma. Esse tipo de abordagem, segundo médicos, favorece a progressão do quadro ao longo do tempo.
Os testes realizados durante a pesquisa mostram um dado ainda mais crítico: mesmo após o uso de broncodilatadores, muitos pacientes não conseguem recuperar a função pulmonar esperada. Isso indica que, em diversos casos, o prejuízo já pode ser permanente.
Além do impacto na saúde, a doença também afeta diretamente a rotina dos pacientes. Nos últimos 12 meses, cerca de 60% relataram faltas no trabalho ou na escola por causa da asma. Entre jovens, esse índice ultrapassa 80%.
O levantamento também identificou alta frequência de crises: aproximadamente 70% dos participantes tiveram episódios recentes, quase metade precisou de atendimento emergencial e uma parcela chegou a ser hospitalizada.
No país, cerca de 20 milhões de pessoas convivem com a doença, que ainda apresenta crescimento nos índices de mortalidade, com média de seis mortes por dia.








