LSM- A agressão brutal sofrida por uma mulher em Maricá, na madrugada deste domingo,19, não é um caso isolado. O episódio, que terminou com a prisão do marido, ocorre em meio a um cenário de alta nos registros de violência contra a mulher em todo o estado do Rio de Janeiro.
De acordo com dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), mais de 11.370 casos de violência contra a mulher foram registrados apenas nos três primeiros meses de 2026. Os números incluem agressões físicas, violência doméstica, abuso psicológico e crimes patrimoniais.
O caso de Maricá segue o padrão apontado pelas estatísticas: a maioria das agressões ocorre dentro de casa. Segundo o levantamento, 86,2% das ocorrências acontecem no ambiente doméstico, muitas vezes envolvendo companheiros ou ex-companheiros.
Além disso, os dados revelam um alto índice de subnotificação. Apesar das mais de 11 mil ocorrências registradas no período, apenas cerca de 1.379 denúncias formais foram feitas, o que representa pouco mais de 12% dos casos. Especialistas apontam que o medo, a dependência financeira e a convivência com o agressor são fatores que dificultam a denúncia.
No recorte de violência sexual, o estado contabilizou 964 casos apenas nos dois primeiros meses do ano, uma média de 16 vítimas por dia.
Outro indicador que chama atenção é o número de medidas protetivas concedidas. Segundo o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, mais de 18 mil mulheres receberam esse tipo de proteção até meados de março, com uma média de 261 pedidos por dia.
Apesar da gravidade dos números, houve uma leve redução nos casos de feminicídio no período. Dados apontam queda de 2,8% nos registros e de 19,6% nas tentativas, embora o estado ainda figure entre os que concentram maior número de ocorrências no país.
O cenário também inclui o crescimento da violência no ambiente digital. Em 2025, mais de 3,4 mil mulheres foram vítimas de violência psicológica online, número que segue em tendência de alta em 2026.
Diante desse quadro, medidas de enfrentamento vêm sendo ampliadas. Entre elas, está o protocolo “Não é Não! Respeite a decisão”, que obriga estabelecimentos a adotarem ações de prevenção e acolhimento em casos de violência.
O caso registrado em Maricá, com agressões dentro de casa e envolvendo o companheiro, reforça o perfil predominante das ocorrências no estado e evidencia a dimensão do problema enfrentado diariamente por mulheres no Rio de Janeiro.








