LSM – Um estudo inédito da Universidade Federal Fluminense (UFF) revelou um cenário preocupante sobre o litoral do Rio de Janeiro: apesar da resistência de áreas preservadas, o avanço da urbanização desordenada vem acelerando a degradação ambiental ao longo das últimas quatro décadas.
A pesquisa analisou uma área de aproximadamente 21.980 km², traçando um verdadeiro raio-x da evolução da paisagem costeira desde 1984.
Utilizando imagens dos satélites Landsat e dados recentes da Airbus, os pesquisadores conseguiram identificar pontos críticos de erosão e áreas sob forte pressão humana.
O estudo também adaptou, pela primeira vez no Brasil, uma metodologia do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), tradicionalmente aplicada em regiões áridas, para monitorar ambientes tropicais úmidos como a Mata Atlântica.
Segundo os especialistas, a combinação entre desmatamento, ocupação irregular e chuvas intensas cria um cenário de risco crescente, principalmente em áreas de encosta.
Cidades como Angra dos Reis e Paraty já convivem historicamente com deslizamentos — e o estudo reforça que a retirada da vegetação agrava ainda mais essa ameaça.
Sem a cobertura natural, o solo perde estabilidade, aumentando o risco de tragédias.
Apesar do alerta, o levantamento também aponta um dado positivo: regiões preservadas ainda mostram resistência.
Em Paraty, por exemplo, mais de 90% da área analisada mantém estabilidade ambiental.
Por outro lado, áreas úmidas próximas a Angra dos Reis enfrentam crescente pressão imobiliária, o que pode comprometer ecossistemas sensíveis como manguezais e restingas.
Os pesquisadores classificam o cenário como uma “bomba-relógio” ambiental, onde o crescimento urbano sem planejamento, aliado às mudanças climáticas, pode intensificar eventos extremos nos próximos anos.
O estudo surge como um alerta não apenas ambiental, mas também social: a forma como o território é ocupado hoje pode definir o nível de risco enfrentado pelas próximas gerações.
O levantamento reforça a necessidade de políticas públicas mais rígidas de ordenamento urbano e preservação ambiental no Rio de Janeiro.
Mais do que mapear o passado, a pesquisa aponta um caminho: equilibrar desenvolvimento








