LSM – A disparada do petróleo no mercado internacional reacendeu uma expectativa bilionária no Rio de Janeiro — e, principalmente, em Maricá, hoje o município que mais recebe royalties no país. com o barril do tipo Brent crude oil ultrapassando a marca de US$ 110 e podendo fechar 2026 com média próxima de US$ 100, especialistas apontam que a arrecadação pode disparar.
Segundo estudo do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), o Brasil pode arrecadar até R$ 160,7 bilhões em royalties e participações especiais em 2026 — um salto de cerca de 60% em relação ao ano anterior.
Dentro desse cenário:
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O Estado do Rio pode chegar a R$ 39,3 bilhões
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Maricá pode se aproximar de R$ 4,5 bilhões
Em 2025, Maricá já havia registrado R$ 4,236 bilhões em receitas petrolíferas — o equivalente a cerca de 63% de toda a arrecadação municipal.
Isso mostra que a cidade segue altamente dependente das oscilações do petróleo, o que transforma qualquer alta — ou queda — do barril em impacto direto no orçamento público.
Apesar da projeção positiva, parte desses recursos já tem destino definido. Um acordo firmado entre Maricá e Rio de Janeiro prevê a divisão de royalties com municípios como São Gonçalo, Magé e Guapimirim até 2030.
Na prática, isso significa que, mesmo com aumento na arrecadação, o valor líquido disponível pode não crescer na mesma proporção.
Ainda assim, o cenário é considerado confortável. A base bilionária permite que o município mantenha programas sociais robustos, como:
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Moeda social Mumbuca
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Transporte público gratuito
Além disso, o possível aumento de receita pode ampliar investimentos em infraestrutura, saúde e educação.
No plano estadual, o momento reforça uma realidade antiga: o Rio de Janeiro continua fortemente atrelado ao mercado internacional de energia.
Crises externas, como tensões no Oriente Médio, impactam diretamente o preço do petróleo — e, consequentemente, os cofres públicos fluminenses.
Se por um lado o barril em alta representa alívio financeiro, por outro escancara a vulnerabilidade de uma economia ainda dependente de uma única fonte de riqueza.
Especialistas alertam que, apesar do momento favorável, é fundamental que estados e municípios utilizem esse “boom” de arrecadação para diversificar suas economias e reduzir a dependência dos royalties no longo prazo.
Para Maricá, o desafio vai além de arrecadar mais. A questão central é como transformar essa receita em desenvolvimento sustentável, garantindo que os recursos do petróleo continuem gerando benefícios mesmo quando o ciclo de alta terminar.
Enquanto o preço do Brent crude oil segue em patamares elevados, o cenário é de oportunidade. Mas também de alerta: o mesmo fator que hoje impulsiona bilhões pode, amanhã, pressionar fortemente as contas públicas.
No fim das contas, o petróleo continua sendo, ao mesmo tempo, motor e risco da economia fluminenses








