LSM – O vendaval que atingiu Maricá na última quarta-feira, 29, deixando bairros sem energia, árvores caídas e diversos transtornos, fez surgir uma dúvida entre muitos maricaenses: o El Niño teve influência na ventania? Segundo especialistas, não diretamente.
De acordo com a meteorologista Suellen Araújo, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os ventos fortes foram provocados pela formação de uma área de baixa pressão atmosférica, combinada com o deslocamento do ar nas camadas mais altas da atmosfera, fenômeno conhecido como escoamento. Essa combinação favoreceu a formação de uma frente de rajada, responsável pelos ventos intensos registrados em várias cidades do estado, incluindo Maricá.
Os efeitos foram sentidos em diversos bairros do município, com queda de árvores, falta de energia elétrica e prejuízos para moradores e comerciantes. Em todo o estado, o vendaval também provocou mortes e destruição. Na capital, uma estação meteorológica registrou rajadas de até 105 km/h.
Segundo o climatologista José Marengo, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o episódio foi provocado pela passagem de uma frente fria, acompanhada por uma linha de instabilidade, e não pelo El Niño.
Embora o fenômeno climático influencie o comportamento do tempo, os especialistas explicam que ele está mais relacionado ao aumento das temperaturas e à ocorrência de chuvas intensas do que à força dos ventos. Ou seja, não é possível associar diretamente o vendaval que atingiu Maricá ao El Niño.
A expectativa é que o fenômeno passe a influenciar o clima de forma mais significativa a partir de agosto e setembro, favorecendo um inverno mais úmido no Sudeste e aumentando a frequência da passagem de frentes frias.
Ainda assim, os meteorologistas destacam que a ventania registrada nesta semana foi atípica para esta época do ano, já que episódios com essa intensidade costumam ocorrer com mais frequência durante a primavera.








