LSM – A chamada “novela das frutas” se tornou um dos conteúdos mais comentados nas redes sociais, acumulando milhões de visualizações e engajamento, principalmente entre o público jovem. Produzida com o uso de inteligência artificial, a série aposta em personagens inspirados em frutas humanizadas para contar histórias cheias de reviravoltas.
Com nomes caricatos e enredos exagerados, os episódios apresentam conflitos familiares, romances conturbados, traições e disputas, elementos típicos de novelas tradicionais, mas adaptados para um formato curto e dinâmico, ideal para plataformas digitais.
O sucesso do formato está justamente nessa combinação: narrativa rápida, apelo emocional forte e estética chamativa. As cores vibrantes e o visual lúdico aproximam o conteúdo do universo infantil, enquanto as histórias carregadas de drama ampliam o engajamento e incentivam o compartilhamento.
Apesar da popularidade, a tendência tem gerado preocupação. Especialistas apontam que a mistura entre aparência leve e temas mais intensos pode causar confusão na interpretação, principalmente entre crianças e adolescentes.
O psiquiatra Cândido Fontan Barros alerta que, nessa fase da vida, o consumo frequente de conteúdos com forte carga emocional pode influenciar diretamente a forma como os jovens compreendem relações e conflitos. Segundo ele, quando não há mediação, esse tipo de narrativa tende a ser absorvido de forma automática, sem reflexão crítica.
Outro ponto destacado é a repetição de comportamentos dentro das histórias. Situações de exagero, reações impulsivas e até atitudes negativas aparecem de forma recorrente, o que pode contribuir para a normalização desses padrões ao longo do tempo.
Além disso, a estética inspirada em desenhos animados funciona como um “gatilho de atração” para públicos mais novos, que muitas vezes não conseguem diferenciar o tom fictício exagerado das mensagens implícitas nos roteiros.
Especialistas também chamam atenção para o papel da inteligência artificial nesse cenário. A tecnologia facilita a produção em grande escala de conteúdos virais, permitindo que tendências como a “novela das frutas” se espalhem rapidamente, sem passar por filtros editoriais ou classificação indicativa clara.
Por outro lado, o uso da IA não é visto apenas de forma negativa. Quando aplicada com responsabilidade, pode ser uma ferramenta importante para criatividade e educação. O problema, segundo especialistas, está na ausência de orientação e no consumo passivo.
Diante disso, a recomendação é que pais, responsáveis e educadores acompanhem mais de perto o que crianças e adolescentes assistem nas redes. O diálogo e o estímulo ao pensamento crítico são considerados fundamentais para reduzir possíveis impactos.








